quinta-feira, 27 de maio de 2010

Contos De Barões: Uma Era Medieval

Bom galera... Vamos para um pedaço desse conto... Espero que gostem!

Contos de Barões: Uma Era Medieval

Geraldo de Viene

...
*

Dez anos se passaram. O jovem escudeiro Geraldo tornou-se um poderoso senhor, que tinha mulher e filhos. Sua mulher chamava-se Guibour e lhe dera dois filhos: Savary e Oton.
Certo dia, estava ele em uma janela de seu castelo quando viu surgir ao longe três jovens cavaleiros. Um deles vinha a frente e, por sua bela postura, Geraldo reconheceu que era de sua estirpe: tratava-se de Emeri, filho de Hernaut de Beaulande. Ele o acolheu com grande alegria. Quis saber das proezas de seu irmão e dos feitos do joven sobrinho. Mas o rapaz parecia corroído por alguma obsessão secreta. Poucos eram os instantes em que se animava ao lembrar as vitorias do pai, suas lutas bem-sucedidas contra inumeros malfeitores que, apesar de sua pouca idade, ele massacrara sozinho. Logo voltava a um pesado silêncio.
Assim que se viu sozinho com Geraldo, ele disse:
- Estou voltando de Saint-Denis, onde encontrei o imperador e a rainha. Ah, meu tio, que coisa horrivel!
- O que foi? - disse Geraldo. - Fale, rapaz, do que ficou sabendo?
- Fui muito bem recebido, e Galeot Magno já falava em me fazer cavaleiro por suas mãos. Certo dia, em que ele estava ausente, a rainha me pediu que ficasse a seu lado. Meu tio, a rainha o afrontou publicamente sem que você soubesse. Ela disse tudo e, diante de mim, vangloriou-se para quinze barões!
Emeri contou do gesto infame. Tomado de um furor cego, Geraldo quis lançar-se a ferro e fogo contra o reino da França.
- Não permanecerão em pé nem um castelo, nem um mosteiro, nem uma cidade! - bradou ele de inicio.
Então chamou para junto de si, seu velho pai e seus irmãos, para se aconselhar com eles.
- Talvez o imperador não saiba de nada - disse Garin. - Se ele punir a culpada, nos daremos por satisfeitos. Se nos desprezar, então travaremos contra ele uma guerra inexorável!
O conselho foi acatado e Geraldo, com todos os seus, foi pedir justiça ao rei.
De inicio foram acolhidos cordialente. Mas, quando apresentaram sua petição, o rei disse ao senescal:
- Veja lá se cometemos alguma falta para com esses vassalos. Se assim foi, eu me retratarei. Caso contrario, eles serão punidos. Pois os feudos de Geraldo e Régnier lhes foram concedidos por mim, e desde que os receberam, nunca mais me prestaram serviços.
- Sire* - disse o senescal -, que Geraldo pague o que lhe deve, todas as suas obrigações pelos anos passados. Então o senhor julgará sua queixa.
A afronta atingiu em cheio o coração de Geraldo. Antes de tudo a vingança! Ele recusava qualquer acordo. Garin o apoiou.
- Vejam só esse velho intratável! Tem a mão trêmula, os cabelos brancos, e ousa rebelar-se contra o imperador! Vejam só esse herói, que qualquer um derrubaria com um sopro!
E os barões puseram-se a rir e zombar dele. Então Geraldo e seus irmãos lançaram-se contra os insultadores. Foi uma briga espetacular, terrivel, memorável. Apesar de os inimigos serem numerosos, Garin e seus filhos conseguiram escapar, graças a seu ardor indomável. Perseguidos de perto pelos barões de Galeot Magno, eles fugiram para Viene.

Agora só a guerra poderia encerrar a discução. Ambos os lados a preparavam com furor.
Galeot formou exércitos poderosos. Geraldo armazenou em Viene, sua cidade, provisões suficientes para sustentar um cerco e alimentar vários exércitos durante sete anos.
Durante cinco anos, Galeot Magno sitiou Viene, sem conseguir vencer o obstinado Geraldo nem seus vassalos. Em torno do duque de Viene agruparam-se seus parentes: Garin e seus filhos, Emeri, Olivier e sua irmã Aude, cuja presença era reconfortante para todos.
Ao lado de Galeot Magno, combatiam mil barões valorosos, a fina flor da cavalaria. Um deles era Rolando, o paladino, sobrinho do imperador. Mas não havia meio de abalar a resistência de seus adversários. Os campos da região tinham sido devastados, Geraldo estava arruinado, mas não se rendia.
Nessa época, anunciaram-se grandes festejos no campo dos franceses. Rolando sentia-se entediado, e em sua honra seria realizado um grande torneio.
Rolando acreditava que venceria sem dificuldade, pois era o mais hábil dos jovens cavaleiros francos. Portanto, sentiu-se muito despeitado ao ver que todos os olhares se dirigiam não para ele, como de costume, mas para um jovem estrangeiro, de bela aparência, que não queria revelar seu nome e que desarmava todos os que vinham enfrenta-lo. Encantado, o imperador pediu-lhe, afinal, que se desse a conhecer.
- Sou Olivier de Gênova, filho de Régnier e sobrinho de Geraldo - proclamou orgulhoso o jovem cavaleiro.
Na mesma hora ele virou as rédeas e voou de volta para Viene.
Todos os barões saíram em sua perseguição. Por desgraça, seu cavalo tombou, e ele teria sido capturado se o pai e os tios não tivessem chegado bem na hora para socorrê-lo. E ele retornou a corrida, cheio de ardor. Rolando, contra a vontade do imperador, foi mais uma vez a seu encontro.
Ao mesmo tempo, a bela Aude, avisada do perigo que o irmão acabara de correr, precipitou-se sozinha através da planicie, para correr em seu socorro.
A doce e terna aparição, à luz do entardecer, despertou a admiração de todos. Ao vê-la, Rolando esqueceu Olivier, Viene e o combate que ele queria travar. Num piscar de olhos chegou perto dela, levantou-a do chão e saiu levando-a em seu cavalo, quase morta de pavor. Olivier acorreu na mesma hora e intimou-o a devolver sua irmã.
- Vassalo - respondeu Rolando, com ar insolente -, a moça é minha e vou ficar com ela.
- Atacar uma mulher é covardia! Se tem coragem, paladino Rolando, venha medir forças comigo imediatamente!
Rolando não pôde esquivar-se da luta. Os dois avançaram um sobre o outro com tal violência, que ambos ficaram atordoados. Olivier então despedaçou o elmo de Rolando e quase o matou.
Enlouquecido, o cavalo de Rolando fugiu a toda a velocidade, enquanto Olivier pegou a irmã e, tranquilizando-a o mais possivel, levou-a de volta a Viene.



T
a ae galera... Ta começando a fica bom em... Daqui a 2 Dias postarei mais uma parte deste meu conto. A richa entre Geraldo e Galeot, Olivier e Rolando, está apenas no inicio, e muita reviravolta há de acontecer ainda... Até a proxima, e abrass!


Thobias Costa Emmert, The Doctore

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